Termorregulação e Risco de Exacerbação de Sintomas na Esclerose Múltipla

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, marcada pela desmielinização e formação de placas em diversas regiões do cérebro e da medula espinhal. Entre os inúmeros fatores que podem precipitar ou agravar sintomas, alterações de temperatura, especialmente o aumento da temperatura corporal (hipertermia), destacam-se como possível gatilho de exacerbações. Em Termorregulação e Risco de Exacerbação de Sintomas na Esclerose Múltipla, explicamos como o equilíbrio térmico influencia o quadro clínico e o que fazer para minimizar esse risco no período perioperatório. 

1. A Relação entre Temperatura e Sintomas de EM

Uma das características mais conhecidas em pacientes com EM é o fenômeno de Uhthoff, no qual a elevação da temperatura corporal (por febre, exercício físico intenso ou calor ambiente) piora sintomas neurológicos como fraqueza, fadiga, distúrbios visuais e sensoriais. Isso acontece porque o aquecimento reduz ainda mais a condução nervosa em áreas desmielinizadas, amplificando deficits já existentes. 

2. Por que a Temperatura Corporal se Torna Crítica?

  • Desmielinização: As lesões nos axônios fazem com que o impulso nervoso se torne mais sensível a flutuações térmicas, pois o calor diminui a eficiência de transmissão.
  • Fenômeno de Uhthoff: A hipertermia transitória pode ocasionar perda temporária de funções, que pode regredir ao se restabelecer a normotermia.
  • Estresse Cirúrgico: No perioperatório, processos inflamatórios e metabólicos podem gerar hipertermia, e se não houver controle cuidadoso, os sintomas de EM podem agravar.
 

3. Fatores de Risco no Perioperatório

  1. Cirurgias Prolongadas: O aquecimento passivo do paciente por tempo extenso, sem monitorização rigorosa, pode elevar a temperatura interna.
  2. Infecções e Febre: Qualquer foco infeccioso no pós-operatório desperta a resposta inflamatória com produção de calor, adicionando risco de exacerbação.
  3. Ambiente Cirúrgico: Temperatura da sala de operação, iluminação intensa e uso de equipamentos podem afetar a termorregulação do paciente.
  4. Hipermetabolismo: Dor não controlada ou tremores (por hipotermia inicial) podem levar a hipertermia reacional.
 

4. Estratégias de Controle Térmico

  1. Monitoração Contínua: Aferir a temperatura de forma periódica ou contínua (ex.: sensor esofágico) durante a cirurgia e no pós-operatório imediato.
  2. Prevenção de Hipotermia Excessiva: O uso de mantas aquecidas e fluidos aquecidos ajuda a manter normotermia, porém deve-se regular para não ultrapassar limites seguros.
  3. Evitar Hipertermia: Em caso de febre ou aumento da temperatura acima de 37,5 °C, intervir com medidas de resfriamento (uso de compressas geladas, ajuste da temperatura ambiente, fármacos antipiréticos se necessário).
  4. Gestão de Estresse e Dor: Minimizar tremores, adequar analgesia e evitar picos adrenérgicos que possam acentuar a produção calórica.
 

5. Cuidados no Intra e Pós-Operatório

  • Anestesia Equilibrada: A profundidade anestésica ajustada reduz o metabolismo basal, porém o anestesiologista deve acompanhar a curva de temperatura para evitar hipotermia rebote e tremores intensos.
  • Analgesia Multimodal: Controlar efetivamente a dor diminui hiperatividade do sistema simpático, atenuando a hipertermia.
  • Prevenção de Infecções: Surtos febris desencadeados por infecções no pós-operatório são particularmente nocivos para o paciente com EM, requerendo antibioticoprofilaxia cuidadosa e técnica asséptica.
  • Vigilância Neurológica: Verificar se eventual piora motora ou sensitiva reflete elevação térmica, dor, ou possível surto.

6. Participação Multidisciplinar

O manejo de pacientes com EM que apresentam tendência a exacerbações por hipertermia demanda uma equipe integrada:
  • Anestesiologista: Ajuste fino da sedação, analgesia, monitorização de temperatura.
  • Enfermagem: Auxílio com mantas geladas ou aquecidas, checagem de parâmetros vitais.
  • Fisioterapia: Mobilização precoce para evitar tremores ou dor excessiva.
  • Neurologista: Avaliação e determinação de condutas específicas se houver suspeita de surto.
 

Conclusões

Em Termorregulação e Risco de Exacerbação de Sintomas na Esclerose Múltipla, fica claro que o controle térmico no perioperatório é crucial. Evitar picos de calor ou resfriamento exacerbado, ajustar analgesia para domar tremores e agitação, além de monitorar infecções, reduzem a probabilidade de desencadear ou agravar os surtos da doença. A abordagem deve ser individualizada, considerando o histórico do paciente e as estratégias de aquecimento e resfriamento disponíveis, resultando em maior segurança e previsibilidade de resultados.

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