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Pacientes com Síndrome de Marfan permanecem em risco elevado de complicações vasculares mesmo após o término do procedimento cirúrgico. A fragilidade do tecido conjuntivo, característica da síndrome, exige monitorização intensiva no pós-operatório, com atenção redobrada à integridade cardiovascular e ao suporte funcional respiratório e ortopédico.
A pressão arterial (PA) deve ser mantida dentro de parâmetros estáveis para prevenir dissecções aórticas tardias ou rotura de aneurismas não detectados.
· Internação em sala de recuperação pós-anestésica monitorada ou UTI, conforme o risco do procedimento e a condição basal do paciente.
· Uso de cateter arterial, quando já presente no intraoperatório, pode ser mantido nas primeiras horas ou dias para controle mais fino da PAM.
· A titulação de fármacos vasodilatadores e betabloqueadores continua sendo essencial neste período, com transição cuidadosa para via oral conforme possível.
A mobilização precoce e a fisioterapia respiratória são pilares da reabilitação pós-operatória, especialmente em pacientes com:
· Escoliose torácica ou deformidades da parede torácica, comuns na síndrome, que comprometem a mecânica respiratória.
· Cirurgias torácicas ou ortopédicas, que aumentam o risco de atelectasias e tromboembolismo venoso (TEV).
A prevenção de complicações pulmonares inclui:
· Exercícios com incentivadores respiratórios.
· Decúbito elevado e deambulação assistida.
· Avaliação contínua da saturação periférica de oxigênio.
Mesmo após a alta cirúrgica, pacientes com Marfan devem ser acompanhados regularmente pela cardiologia, com foco em:
· Identificação precoce de novas dilatações vasculares, especialmente na aorta ascendente e descendente.
· Realização de ecocardiograma transtorácico ou ressonância magnética cardíaca, conforme protocolo individualizado.
· Acompanhamento de valvopatias associadas, como regurgitação mitral ou aórtica.
Além disso, o anestesiologista deve registrar em prontuário e comunicar à equipe assistente qualquer evento perioperatório relevante, como instabilidades hemodinâmicas, dificuldade de manejo de via aérea ou necessidade de fármacos vasoativos.
O manejo ideal inclui:
· Cardiologia clínica para acompanhamento de riscos vasculares e ajustes farmacológicos.
· Fisioterapia motora e respiratória.
· Enfermagem especializada para controle da dor, posicionamento e vigilância de sinais precoces de complicações.
O pós-operatório de pacientes com Síndrome de Marfan exige monitorização contínua, suporte respiratório e vigilância cardiológica intensiva. A prevenção de complicações vasculares não termina com a cirurgia, ela depende de um plano estruturado, interdisciplinar e centrado na fragilidade do tecido conectivo que define essa síndrome.