A Síndrome de Angelman (SA) é uma condição neurogenética rara, caracterizada por disfunções neurológicas complexas, incluindo atraso motor, distúrbios do equilíbrio, movimentos involuntários e, em muitos casos, hipotonia generalizada. Tais características impõem desafios relevantes ao manejo anestésico, exigindo preparo cuidadoso da equipe, tanto na avaliação pré-anestésica quanto nas condutas intra e pós-operatórias.

 

1. Hipotonia ou Movimentos Anormais que Dificultam o Posicionamento

Pacientes com SA frequentemente apresentam:

Condutas recomendadas:

 

2. Manejo de Relaxantes Musculares com TOF (Train-of-Four)

A utilização de bloqueadores neuromusculares em pacientes com SA deve ser individualizada e monitorada com rigor. Apesar de não haver contraindicação absoluta, há alguns cuidados específicos:

Para evitar complicações:

A reversão deve ser feita apenas após recuperação objetiva com TOF ≥ 0,9, idealmente com sugamadex quando disponível.

 

3. Uso de Bloqueios Regionais Quando Conveniente

A anestesia regional pode representar uma alternativa ou complemento valioso à anestesia geral em pacientes com SA, especialmente pelos seguintes motivos:

Contudo, deve-se considerar:

Casos ideais para bloqueios incluem:

 

Conclusão

Pacientes com síndrome de Angelman apresentam peculiaridades motoras e de tônus que exigem um cuidado anestésico diferenciado. A hipotonia, os movimentos anormais e a instabilidade postural devem ser considerados desde o posicionamento até o uso e reversão de bloqueadores neuromusculares. O uso de monitorização com TOF é obrigatório para garantir segurança, enquanto os bloqueios regionais devem ser explorados como ferramentas valiosas de analgesia e redução de riscos respiratórios. A abordagem multidisciplinar, envolvendo anestesiologistas, neurologistas e fisioterapeutas, amplia a segurança e a eficácia do procedimento.

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