A síndrome de Angelman (SA) é uma desordem neurogenética complexa, frequentemente associada a epilepsia grave e refratária. Estima-se que até 80 a 90% dos pacientes com SA apresentem algum tipo de crise convulsiva ao longo da vida, muitas vezes com início precoce, múltiplos tipos de crises e resposta parcial ao tratamento. No contexto da anestesia, compreender o histórico epiléptico do paciente e realizar ajustes adequados na farmacoterapia é essencial para garantir segurança no período perioperatório.

 

1. Frequência de Crises e Fármacos Antiepilépticos em Uso

Durante a avaliação pré-anestésica, o anestesiologista deve obter um histórico clínico detalhado das crises epilépticas, incluindo:

Muitos pacientes com SA utilizam politerapia anticonvulsivante, o que pode implicar em interações importantes com agentes anestésicos.

 

2. Precauções quanto a Interações e Sedação Adicional

Os principais anticonvulsivantes utilizados (valproato, levetiracetam, clonazepam, lamotrigina, topiramato, entre outros) podem interagir com fármacos anestésicos de diversas formas:

Além disso, o jejum pré-operatório pode impactar a absorção dos anticonvulsivantes orais. Deve-se:

 

3. Identificar Gatilhos de Convulsão no Período Perioperatório

O conhecimento prévio de fatores desencadeantes das crises permite prevenir episódios críticos durante a anestesia. Os principais gatilhos incluem:

A conduta ideal inclui:

 

Conclusão

O manejo anestésico em pacientes com síndrome de Angelman e epilepsia deve começar com uma anamnese detalhada do histórico convulsivo, avaliação dos fármacos em uso e identificação cuidadosa dos possíveis gatilhos de crise. O anestesiologista deve trabalhar em conjunto com o neurologista e a equipe multidisciplinar, adotando estratégias que garantam estabilidade hemodinâmica e neurológica, além de prevenir convulsões no intra e pós-operatório.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *