
A Síndrome de Williams-Beuren (SWB), além das anomalias cardiovasculares típicas, como a estenose aórtica supravalvar, apresenta uma característica especialmente desafiadora do ponto de vista anestésico: a hipersensibilidade farmacológica associada à instabilidade hemodinâmica, particularmente manifestada como hipotensão paradoxal frente ao uso de agentes anestésicos comuns.
Pacientes com SWB podem exibir respostas imprevisíveis a sedativos e anestésicos, inclusive com quedas abruptas de pressão arterial mesmo em doses usuais. Fatores contribuintes:
⚠️ Risco elevado de colapso hemodinâmico na indução anestésica, sobretudo quando se utilizam drogas de início rápido e efeito vasodilatador potente.
O manejo intraoperatório exige equilíbrio delicado entre vasopressores e reposição volêmica:
É fundamental considerar a pré-carga otimizada antes da indução e a monitorização contínua da pressão arterial, idealmente de forma invasiva em cirurgias de maior risco.
A profundidade anestésica deve ser cuidadosamente modulada, evitando tanto a sedação leve com risco de resposta simpática exacerbada quanto o excesso de anestésicos que podem precipitar hipotensão:
A associação de anestesia multimodal com uso racional de anti-inflamatórios, infiltração local e bloqueios periféricos pode contribuir para um plano anestésico mais seguro e eficaz.
A hipotensão paradoxal observada em pacientes com Síndrome de Williams-Beuren exige uma abordagem anestésica refinada, com titulação cuidadosa de agentes, uso criterioso de vasopressores e fluidos, e vigilância constante da analgesia e profundidade anestésica. A hipersensibilidade a drogas não deve ser subestimada e precisa ser considerada desde o planejamento anestésico até o pós-operatório imediato.